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Xbox perde sua primeira COO após apenas alguns meses

Xbox perde sua primeira COO após apenas alguns meses

Helen Chiang está deixando a Microsoft após 21 anos na empresa. A demissão, confirmada em um memo interno da Xbox visto pela The Verge nesta sexta-feira, 23 de outubro, marca a segunda saída em cadeia de uma figura-chave da liderança do estúdio — após a renúncia de Sarah Bond, presidente da Xbox, em fevereiro, e a saída de Craig Duncan, chefe do Xbox Game Studios, em junho, a empresa agora vê sua primeira chief operating officer deixar o posto menos de quatro meses depois de ser criada.

Chiang, que havia sido promovida a COO da Xbox em 6 de julho por Asha Sharma, a atual CEO do divisionamento, assumiu o cargo com a promessa de trazer consistência operacional a uma divisão que vem se reestruturando há meses. Na ocasião, Sharma descreveu a posição como inédita para a Xbox, com responsabilidade P&L de ponta a ponta sobre conteúdo, hardware, plataforma e serviços.

A promoção de Chiang veio apenas dias após a Xbox confirmar o corte de 3.200 empregos ao longo do ano fiscal de 2027, parte de um plano de reestruturação mais amplo anunciado pela própria Sharma. Em seu memo, Sharma havia escrito que a empresa operava em margens 3 a 10 vezes menores do que plataformas comparáveis e que era necessário evoluir a forma como trabalhamos.

O legado de Helen Chiang na Microsoft

Chiang entrou na Microsoft em 2005 e passou a maior parte de sua carreira construindo negócios fundamentais para o ecossistema da empresa. Durante quase uma década, foi líder da equipe do Minecraft — a franquia mais lucrativa da Microsoft, com receita anual estimada em bilhões de dólares. Antes disso, ajudou a construir o Xbox Live e as operações globais de hardware da Xbox.

Sua promoção a COO foi apresentada como uma tentativa de centralizar a governança operacional da Xbox sob uma única figura, unificando equipes que antes operavam de forma relativamente independente. O papel deveria ter permitido decisões de investimento mais claras e uma responsabilidade mais rigorosa sobre resultados.

Em memo anunciado pela Xbox Wire em julho de 2026, Sharma escreveu que Chiang traria nossos negócios para baixo de um único modelo operacional, garantindo que tomemos decisões de investimento claras, aprendamos com nossos sucessos e fracassos e nos responsabilizemos pelos resultados.

Um padrão de instabilidade

A saída repentina de Chiang levanta questões sérias sobre a capacidade de Sharma de estabilizar a liderança da Xbox. Desde que assumiu o cargo em fevereiro, substituindo Phil Spencer — que se aposentou após 38 anos na empresa —, Sharma enfrentou uma série de desafios:

O Q3 de 2026 mostrou que as vendas de hardware da Xbox caíram 33% em relação ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo já registrado, segundo dados da Circana. As vendas de hardware da PlayStation 5 caíram 25% no mesmo período.

Em setembro de 2026, as vendas da Series X/S despencaram 27% nos EUA, enquanto a PlayStation 5 cresceu 22%, de acordo com a mesma pesquisa.

No fiscal 2026, a receita da Xbox caiu 7% para US$ 21,79 bilhões, com o conteúdo e serviços caindo 5%. A Microsoft atribuiu o declínio a vendas mais fracas de jogos de seus estúdios internos.

Em outubro de 2026, a Microsoft admitiu impairment e outros gastos relacionados no negócio Xbox no formulário 10-K, indicando perdas por desvalorização de ativos — um sinal de que a reestruturação pode ter gerado custos de reavaliação.

O que esperar agora?

A Xbox está em uma fase de transição sem um console de próxima geração revelado. A última geração (Series X e S) existe desde novembro de 2020, e a especulação sobre uma consola Series X Slim ou Xbox Next continua sem confirmação oficial. Enquanto isso, a divisão opera com uma equipe reduzida em cerca de 4.800 posições, incluindo estúdios que estão sendo desinvestidos.

A Sharma, que antes era executiva de IA na Microsoft e presidente da divisão Core AI antes de assumir a Xbox, tem uma trajetória inusual para o setor de jogos. Sua nomeação foi vista como parte de um esforço mais amplo da Microsoft de trazer liderança orientada para tecnologia e eficiência operacional a divisões tradicionais.

O papel de COO da Xbox permanece vago — e sem Helen Chiang, a pergunta que fica é se a Xbox consegue encontrar o equilíbrio entre reestruturação radical e estabilidade organizacional, ou se está condenada a repetir o mesmo ciclo de mudanças em cascata que já marcou os últimos oito meses.

Fontes: The Verge, Fortune, Forbes

✓ Fontes independentes cruzadas e verificadas antes da publicação