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Trump e a EPA propõem desmontar regras de metano da indústria do petróleo

A Administração Trump anunciou na terça-feira, 27 de outubro, a intenção formal de reverter as regulamentações de emissão de metano estabelecidas pela Administração Biden em 2024, um movimento que o governo estima economizar 45 bilhões de dólares para a indústria do petróleo e gás, mas que críticos alertam pode liberar quantidades significativas de um gás de efeito estufa até 80 vezes mais potente do que o dióxido de carbono no curto prazo.

A proposta, que ainda não foi publicada no Federal Register, representa a segunda fase de reconsideração das regras de metano da EPA, conhecidas internamente como Koob e OOOOc, finalizadas em maio de 2024 sob a direção da ex-administradora da agência. A primeira fase, anunciada em março de 2026, já reduziu requisitos de inspeção de vazamentos para uma categoria específica de poços. A nova proposta vai mais longe: propõe o fim completo do Programa Super Emitter, que certificava monitoradores terceiros para detectar liberações massivas de metano — eventos de até 100 quilogramas por hora — e exigia resposta imediata das operadoras.

Os detalhes são específicos e técnicos, mas o impacto potencial é amplo. Segundo o documento preliminar da EPA, a proposta propõe criar categorias separadas para well sites, ajustando padrões para diferentes tipos de poços. Uma categoria crítica afetada são os chamados stripper wells — mais de 700 mil poços antigos, frequentemente mal conservados e com alta propensão a vazamentos de metano — que representam cerca de metade das emissões do setor de petróleo e gás dos Estados Unidos. A associação nacional de poços descartados estima que os custos de conformação variam entre 5 mil e 15 mil dólares por poço ao ano, podendo exceder a renda líquida de 5 mil a 10 mil dólares, forçando operadores a desativar, selar ou vender poços que de outra forma permaneceriam ativos.

O anúncio foi feito durante um comício de campanha nas primárias do Texas, em Lubbock, para apoiar o candidato republicano ao Senado, Ken Paxton — um político histórico na luta contra regulamentações ambientais no estado. Em discurso, Trump afirmou oficialmente a "terminação" das regulamentações de metano da Administração Biden, citando 45 bilhões de dólares em economias para produtores e consumidores, além de desbloquear 210 milhões de barris de petróleo e vastas quantidades de gás natural do Texas.

Mas o que a administração não divulgou é que a estimativa de 45 bilhões de dólares não foi acompanhada de nenhuma análise de impacto regulatório publicada. A edição de março de 2026 já havia estimado 2,5 bilhões de dólares em economia entre 2024 e 2038 — aproximadamente 208 milhões por ano — sobre a base de dados verificáveis. O número de 45 bilhões é mais de dez vezes maior e não possui lastro documentado.

O impacto climático é o ponto central da disputa. O metano é o segundo maior contribuinte para o aquecimento global, atrás apenas do dióxido de carbono. Ao contrário do CO₂, que persiste na atmosfera por séculos, o metano tem uma vida relativamente curta de 7 a 12 anos, o que significa que sua ação de aquecimento é intensa e imediata. Reduzir as emissões de metano da extração de petróleo e gás é amplamente considerado a medida mais eficaz e de baixo custo disponível para limitar o aquecimento global nos próximos anos. Mais de 70% das emissões de metano do setor petrolífero e gasoso podem ser tecnicamente evitadas com tecnologias já disponíveis, segundo a Agência Internacional de Energia. A própria NASA mediu o metano atmosférico em 1.939 partes por bilhão em maio de 2026 — um recorde histórico.

A EPA, sob o comando de Lee Zeldin, argumenta que as regras de Biden eram "impraticáveis" e "estavam retardando a dominação energética americana". O documento de proposta cita preocupações legais como justificativa para o fim do Programa Super Emitter, afirmando que outras práticas já fornecem às operadoras informações oportunas e acionáveis para detectar e corrigir vazamentos significativos, atendendo aos requisitos da Lei do Ar Limpo. Essa alegação, porém, contradiz investigações como a da ProPublica, que documentou como o próprio programa havia identificado centenas de eventos de super-emissão que, de outra forma, teriam permanecido invisíveis até que o metano fosse completamente liberado na atmosfera.

A legislação que acompanhou o pacote deregulation — conhecida internamente como One Big Beautiful Bill — também eliminou a taxa de emissões de resíduos de metano que teria começado em 2025, atrasada anteriormente por 10 anos. O Congresso e a Administração Trump atuaram em concert para desmantelar o conjunto de políticas climáticas implementadas sob Biden, incluindo a revogação de uma descoberta científica fundamental que havia servido de base para praticamente toda a regulação ambiental subsequente.

O processo regulatório agora entrará em um período de comentários públicos de pelo menos 45 dias, seguido pela possível publicação de uma regra final. Enquanto isso, a indústria já sinaliza que está pronta para operar na nova estrutura. O que resta saber é se a economia projetada de 45 bilhões de dólares se materializa ou se revela, como tem sido padrão em revisões anteriores, como um número político sem lastro analítico — e que preço climático o país pagará por essa contabilidade. A pergunta que fica é: quando a pressão por produção barata sobe demais, quem arca com o custo de um clima desestabilizado?

Fontes: The Verge, AP News, ProPublica

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